Origem do texto: Da Reportagem Local
Editoria: INFORMÁTICA Página: F2
Edição: Nacional Sep 19, 2001
Legenda Foto: Blog do brasileiro Cristiano Dias, que escreveu sobre o atentado
Crédito Foto: Reprodução
Observações: SUB-RETRANCA
Assuntos Principais: INTERNET; BLOG /DIÁRIO ON-LINE/; NOVA YORK /EUA/;
ATAQUE TERRORISTA; ATENTADO; DEPOIMENTO; TESTEMUNHO
Diários on-line narram dia de terror em NY
ALEXANDRE VERSIGNASSI
DA REPORTAGEM LOCAL
Nova York. Terça-feira da semana passada. 11h29 (horário de Brasília).
"Fui chorando buscar minha irmã na escola. Cheguei, estava todo
mundo chorando. Ela perguntou pelo meu pai. Eu disse que não tínhamos
notícias dele."
O relato está no blog www. gringolandia.cjb.net, diário on-line
da paulistana Deborah Andrade, 19, que escreve de Nova York, onde vive há
dois anos.
No dia da tragédia, o site chegou a ganhar até seis novos relatos
por hora. Eles falavam sobre a angústia da espera pelo pai, o desespero
da mãe e o medo de não saber o que mais poderia acontecer.
E, como o endereço do diário foi espalhado entre os internautas,
via grupos de discussão e e-mail, suas emoções ganharam
fama.
"Em dias normais, recebo uns 15 comentários (mensagens deixadas
por visitantes) no meu blog. Naquela terça, foram por volta de 200",
disse Deborah por e-mail.
Guerra
Outro que teve seu dia de correspondente de guerra foi o analista de sistemas
Cristiano Dias, 28. Carioca que trabalha em Nova York, ele tem um blog (www.
crisdias.com/weblog) que recebeu cerca de mil visitantes no dia do ataque; em
geral, são 50 ao dia.
"Na primeira vez em que escrevi, foi só para dizer aos meus amigos:
'Ei, estou vivo'", diz.
Depois, ele começou a contar o que passava pela sua cabeça e pela
de seus amigos americanos, em mensagens como esta: "Duas amigas estavam
indo para o trabalho quando viram o segundo avião bater no prédio.
Saíram correndo. Estão aqui em casa agora. Estamos todos em choque".
Além de trazer relatos, os blogs prestam serviço às vítimas
dos atentados, ainda que indiretamente. Quem diz é o site http:// blogdex.media.mit.edu,
que contabiliza quais são os links mais presentes em milhares de diários
on-line. No final da última semana, o mais constante nesses sites era
um que levava à página da Cruz Vermelha dos EUA (www. redcross.org),
que arrecada doações para pagar despesas com vítimas dos
ataques.
Para brasileiros à espera de notícias de amigos dados como desaparecidos,
há o site www.folha. com.br/terrorismo. Além de trazer a lista
de pessoas que foram encontradas, ele publica o nome de brasileiros que não
deram notícias.
Vírus ganham viés político
DA REPORTAGEM LOCAL
Os vírus de computador tornaram-se uma arma terrorista neste ano. O mais
célebre deles veio da China e tinha por objetivo atacar o site da Casa
Branca. Era o Code Red, lançado na rede em julho.
Como a maior parte dos vírus de hoje, a praga espalha-se por e-mail.
Mas com uma diferença: ela havia sido programada para atacar o site da
sede do governo dos EUA no dia 20 de agosto.
A ofensiva consistiria em enviar um número suficientemente grande de
mensagens, a ponto de causar a chamada recusa de serviço, o que travaria
servidores do governo americano. Para evitar a tragédia, os EUA mudaram
o endereço IP (número que identifica máquinas ligadas à
rede) dos servidores da página da Casa Branca.
Outro atentado cibernético foi a retirada do ar de um site dedicado à
milícia afegã Taleban (www. taleban.com), na semana passada. O
autor foi um russo, cujo apelido é Ryden. "Não há
lugar para sites assim. Eu odeio terror", disse o hacker de 24 anos à
Folha.
Outro ciberatentado foi o vírus Mawanella, de maio, que protestava contra
o terrorismo no Sri Lanka. Ele espalha-se por e-mail, sem causar danos ao micro,
levando a seguinte mensagem: "Duas mesquitas islâmicas e cem lojas
foram incendiadas na cidade de Mawanella. Eu condeno isso. Eu posso destruir
o seu computador, mas não faço isso porque sou um cidadão
amante da paz".
Extremismo do Oriente Médio cai na rede
DA REPORTAGEM LOCAL
O terror também está no mundo virtual. Um exemplo é o site
www.markazdawa.org, que, extremista, chama os islâmicos para a jihad (mobilização
muçulmana para difundir o islamismo) e traz papéis de parede com
imagens sangrentas de facas e mísseis em ação. Esse site
também se chama www.osamabinladen.cjb.net.
As diferentes interpretações para as leis islâmicas também
podem ser conferidas. Para o site muçulmano www.fatwa-online. com, quem
comete atentados suicidas deve "arder no fogo do inferno". Para o
Markazdawa (acima), quem "dá a vida por Allah" vai para o "jardim
onde os rios correm".
Também nessa linha é o www. palestine-info.com/hamas, sobre o
grupo extremista Hamas, que promove atentados terroristas contra judeus. Ele
vem com uma trágica lista que comemora algumas dessas ações.
Mais leve, um site sobre os terroristas libaneses do Hizbollah (www.hizbollah.org/english/
frames/indexeg.htm) faz comparações entre judeus e nazistas.
Radicalismo cibernético
Do lado israelense, também há radicalismo cibernético.
Um exemplo é o site racista www. masada2000.org, que defende a expulsão
de árabes do território israelense. Na página, os islâmicos
são chamados de "o câncer que se espalha" e são
retratados em imagens de demônios.
Como contraponto, há o www. batshalom.org. Organizado por mulheres judaicas
e palestinas, ele prega a paz entre ambos os povos.
Para saber mais sobre o grupo Al Qaeda, primeiro a ser apontado como suspeito
dos ataques aos EUA, passe em www.pbs.org/wgbh/pages/frontline/shows/binladen/who/alqaeda.html.
Líder da organização, o terrorista Osama bin Laden está
em www. fbi.gov/mostwant/topten/ fugitives/laden.htm.
Sobre o Jihad Islâmico, outro grupo terrorista, há informações
em www.ict.org.il/interter/ orgdet.cfm?orgid=28.
Órgãos governamentais também são acusados de promover
o terrorismo. Veja em www.armyinkashmir.org/articles/pakmili.html, que aponta
para o serviço de inteligência do Paquistão (ISI).
O partido Bharatiya Janata (www.bjp.org), da vizinha Índia, faz protestos
contra o ISI, ao mesmo tempo em que luta pelo programa nuclear indiano.
Conheça a história de países árabes
DA REPORTAGEM LOCAL
Milenar, complexa e marcada por conflitos constantes, a história do
Oriente Médio é um prato cheio para internautas dispostos a garimpar
pela rede.
O próprio país-chave dos conflitos atuais, o Afeganistão,
é bem mais que uma planície árida dominada pelo Taleban.
Em uma visita ao site www.sabawoon.com/ afghanpedia/default.shtm, uma enciclopédia
on-line sobre o país, você confere o que aconteceu no território
do atual Afeganistão desde o século 6 a.C.
Sobre o Taleban, milícia fundamentalista que tomou o país em 1996,
há o www.fas.org/irp/ world/para/taleban.htm.
Outra fonte sobre a história desse país é o http://afghan.
ifrance.com/afghan, que traz imagens do Afeganistão e de seu povo. O
site cobre o período entre 1747 e 1992.
Outro país para onde as atenções do ocidente estão
voltadas é o Iraque. Hoje, mencionar o país remete basicamente
à figura do ditador Saddam Hussein, mas o território onde está
o Iraque traz muito mais. Ocupado há cerca de 8.000 anos, ele já
abrigou o povo sumério e a Babilônia. Veja mais a respeito da história
do lugar no site http://lcweb2.loc.gov/ frd/cs/iqtoc.html.
Já no www.fas.org/man/ dod-101/ops/war/iran-iraq.htm, você encontra
uma análise do conflito que esse país travou com seu vizinho Irã
entre 1980 e 1988.
Sobre o país que passou pela Revolução Islâmica,
chefiada pelo inimigo histórico dos EUA aiatolá Khomeini (1902-1989),
há o www. cyberiran.com/history, que abrange do Irã contemporâneo
ao início da civilização Persa.
Sobre a história de países que hoje compõem o mundo árabe,
confira o www.rpi.edu/dept/ union/paksa/www/html/ pakistan/hist.html, dedicado
ao Paquistão, o www.moisyria. com/history.htm, sobre a Síria,
o http://lcweb2.loc.gov/frd/cs/ egtoc.html, que traz o Egito, e o www.arab.net,
com informações sobre 22 países islâmicos.